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Ponte baixa entre Vale Real e Bananal/Feliz, conhecida também como Ponte do Bananal
Sobre o local

Esta ponte é fundamental para a ligação entre as comunidades de Vale Real e Bananal/Feliz, além de ser um local bonito e de relevância histórica, sua construção é resultado da mobilização comunitária, da parceria entre municípios da região e, principalmente, do empenho da população.

A ponte é reconhecida por sua resistência diante das severas enchentes de 2015, 2023 e 2024. Destaca-se, especialmente, o episódio de maio de 2024, quando diversos municípios da região foram atingidos por chuvas intensas e enchentes que interromperam estradas e acessos. Nesse cenário de grande adversidade, a estrutura permaneceu firme, tornando-se um símbolo de força, resistência e durabilidade.

Durante meses, a ponte serviu como passagem essencial para moradores, trabalhadores e serviços, mantendo a conexão entre comunidades e garantindo o acesso a atendimentos e atividades indispensáveis. Sua capacidade de resistir às fortes correntezas reflete também a perseverança e a solidariedade das pessoas da região, que enfrentaram os desafios impostos pela catástrofe com coragem e união.

Um pouco da história

A ideia para a construção da ponte foi trazida por Edgar Mielke, que, ao viajar para diferentes regiões com seu caminhão, viu uma ponte semelhante e decidiu adaptar o conceito para a região. “Ele tinha visto uma ponte parecida e trouxe a ideia para cá”, relata Armanos Graebin, 81 anos, o único construtor ainda vivo. Além de Edgar e Armanos, participaram diretamente da obra Laurindo Müller, Afonso Dresch (ajudante), Irineu Bennemann e Willibaldo Freiberger, que coordenou os trabalhos.

O grupo responsável pelo projeto reuniu-se diversas vezes na Sociedade Aliança ou na casa de algum deles para planejar a melhor forma de realizar a travessia. “O Willi Freiberger fez o desenho dessa ponte, com as anotações das medidas, lá no potreiro da olaria dele (local onde fica o Parque Municipal)”, recorda Armanos.

Cada detalhe da construção foi cuidadosamente planejado. Os trilhos dos pilares foram afixados a 75 cm de profundidade na rocha, no leito do rio, com concreto reforçado. No lado de Vale Real, a laje exposta facilitou o trabalho.

O tabuleiro da ponte foi projetado com uma leve inclinação para o lado de cima, o que gera pressão para baixo quando as águas passam sobre a ponte, mantendo sua estrutura intacta por quase seis décadas. A ponte apresenta um arco de aproximadamente 1 metro de desnível entre as cabeceiras, e sua base foi feita com trilhos de trem.

Segundo o Sr. Armanos: “As pessoas vão passar, mas essa ponte vai continuar aqui por muito tempo ainda.”

A construção contou com a colaboração de três municípios: Vale Real elaborou o projeto e forneceu a mão de obra; Feliz financiou os materiais; e Nova Petrópolis cedeu o maquinário, incluindo o rompedor utilizado para as perfurações na rocha.

Quando construída, em 1968, a ponte foi projetada para suportar o tráfego de carroças, carros de boi, pedestres e tropas de animais. Contudo, sua estrutura demonstrou ser incrivelmente robusta, resistindo ao tráfego mais intenso e às enchentes que ocorreram nos anos de 2000, 2011, 2023 e 2024.

Embora as madeiras da travessia tenham sofrido danos ao longo do tempo, a base da ponte permanece intacta desde sua inauguração, em 10 de novembro de 1968. A obra, realizada por moradores de Vale Real, transformou-se em um marco da região.

Atualmente conhecida como Ponte do Bananal, essa estrutura é símbolo do desenvolvimento social e econômico da região, que se consolidou por meio das vias de comunicação terrestres e das pontes que conectam os vales.

Essa estrutura não apenas celebra seus 58 anos de existência, cumprindo um papel essencial no dia a dia e em momentos de crise, mas também perpetua a memória de um período de superação e união coletiva.
 

Referências bibliográficas:

KUHN, Therezinha Madalena, História de Vale Real: 1851/2021, Bom Princípio, Editora Jornalística Bom Princípio Ltda, 2021.

Ponte Vale Real-Bananal “Essa ponte não vai embora porque foi planejada e muito bem pensada”  Jornal Primeira Hora, Vale do Caí, circulação semanal, 09 de janeiro de 2025, Ano 31, N°1624.

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